segunda-feira, 7 de março de 2016

Hoje eu tive de dormir com a mão pressionada ao meu peito, e é uma coisa que eu não costumo fazer, mas hoje, logo hoje, ele tava tão apertado, que quase não cabia dentro de mim.
Quando eu paro pra pensar sobre todas as coisas que fazem o meu peito ficar assim, descabido, eu me entristeço muito rápido: "Não era pra ser assim.". "Não é pra ser assim". Eu penso em desistir de tudo aquilo que eu sinto de verdade, de mutilar e jogar pra todos os lados essa coisa doida que eu sinto.
E é uma coisa doida mesmo. Não tem o menor cabimento. Não te o menor porquê. Não tem quando nem onde. Só não tem.
É foda ter uma carga emocional tão pesada pra algo que te vê insignificante. O peso é grande, e vai me puxando, puxando, me levando cada vez mais fundo. É tão, mas TÃO difícil me livrar disso, porque eu sinto que já faz parte de mim, e nunca muda, é eterno. Eterno dentro da minha mente, mas só dentro dela mesmo.
Existem duas Letícias dentro de mim, e uma diz (normalmente a que eu deveria ouvir mais): "você está louca!" e outra que diz: "você está apaixonada!" E as vezes eu me questiono se a paixão não é uma grande loucura, só com outro nome. Aí eu começo a rir mesmo disso tudo.
Eu penso se esse é o amor de verdade, se isso realmente existe, ou se é só coisa inventada da gente. Mas parando pra pensar, acho que isso é a única coisa real que sinto em mim, então seria isso uma loucura total, ou só quem sou?
Amar te leva pra coisas muito extremas. Como um sentimento pode te deixar eufórico de felicidade e ao mesmo tempo absorto numa tristeza tão grande?
Quando eu penso no lado bom desse amor, eu não sei nem descrever bem, mas sempre penso numa brisa tranquila, alguma coisa que transborda e me traz sentido, é uma verdadeira iluminação.
Ai, meu Deus! Como amar é bom!
E tem quando eu penso no lado ruim. Aaah!.. Quando eu penso no lado ruim... Sou eu excluindo o meu"eu", sou eu enclausurando meu ego.
Ai, meu Deus! Como amar é ruim!

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Once upon a time...

não pensei em um tempo tão distante assim. Talvez tenham sido apenas pouquíssimas horas atrás e o tempo não era dono de si. Cansada de andar por vales íngremes, parei para escrever este pequeno relato devaneio que para meu espírito parece completamente pertinente...
Lembranças me tomam a memória e o coração. Lembranças de uma noite úmida e mal iluminada, onde minha vista se dava nos sulcos das folhas das árvores. Mas aquela altura eu já sabia que não seria um dia qualquer. Meus passos eram muito lentos e tímidos (propositalmente, é claro). Enchendo sua mente de assuntos completamente irrelevantes. Nossa especialidade. Durante horas de jogos de palavras inúteis, e em meio aos sulcos e casas silenciosas, aconteceu. Foram alguns segundos que pareciam intermináveis, porém completamente divertidos. Era fácil sentir sua língua tímida e seu corpo quase imóvel. Aí foi fácil me deixar completamente encantada, fez com que o meu corpo e espírito se aproximassem do dele rápido. Rápido e violento. Essas são as palavras.

Mas algum tempo passou, e eu sentia cada dia mais uma sintonia incrível. Éramos feitos um para o outro. Ainda não duvido disso. O sexo passou de experimental para espiritual, era uma lavagem selvagem.
Então mais um tempo passou. Seus beijos não era mais tímidos. Seus abraços me envolviam cheios de energia, mas ao mesmo tempo que essa energia crescia, seu ego inflava em proporções que mal eu podia controlar. Aí veio o desgaste, insatisfação, que não me deixava só enfurecida, mas principalmente triste. Triste porque eu sabia que a qualquer momento iria acabar, o que me levava a pensar: "Como é possível o cosmos unir duas almas tão incríveis e com a mesma facilidade desfazê-los?". Me deu noção de como as coisas são efêmeras. Deixou minha alma mais triste.

Inevitavelmente, como eu havia dito, acabou. Mas meu espírito permanece inquieto pra sustentar algo que já não se pode sustentar. Ele luta comigo todos os dias, e é difícil pra mim saber onde essa luta vai me levar.

                              Letícia Bergh

domingo, 26 de abril de 2015

Tenho tanto medo de perder você
tenho medo de te perder de vista
medo de te perder de cheiro
te perder de pensamento

O medo é tanto que me consome
me torna obtusa
Saio do meu corpo pra te servir
porque quero ser o pó de estrelas a te guiar
Quero ver seu sorriso e sentir que o mundo anda bem
que tudo anda bem entre você e eu

Quero ainda poder sentir a tua pele
aquela pele muito branca e macia como algodão
Passar minha mão sobre os seus ralos cabelos
pra poder tranquilizar meu coração

Quero tanto, mas o tanto que quero
é o tanto de medo que eu tenho de perder você
E nesse tanto medo, acabo esquecendo o tanto
que devo querer a mim mesma.